Campanha Paiter: povos da floresta contra COVID-19


Desde o registro do primeiro caso de Covid-19 em solo brasileiro, o povo indígena Paiter-Suruí, de Rondônia, procura se antecipar no enfrentamento da doença. Nas últimas semanas, o coronavírus chegou às aldeias e tem tido um aumento assustador de casos.

Essa campanha é a primeira etapa de um projeto em três partes: com a sua ajuda, nossa comunidade poderá manter seu isolamento ao receber cestas básicas com alimentos e itens de limpeza para suprir as demandas emergenciais e imediatas. São 380 famílias que receberão esses produtos mensalmente sem precisar sair da aldeia e arriscar a contaminação nas cidades.



Por que ajudar ?


Ao longo de nossas histórias, questões sanitárias sempre se fundiram com ameaças à preservação de nossas terras, de nossas culturas, nossos modos de vida, de nós mesmos.

Quando se leem as notícias sobre as ameaças que pairam sobre os povos indígenas em tempos de Covid-19, os dados alarmam aqueles e aquelas verdadeiramente dedicados/as à dignidade da vida. Ao mesmo tempo, quando não se realiza que, por trás dos dados, há pessoas, gente de verdade, o acúmulo exaustivo de informações pode nos levar à desmobilização.

Os Paiter-Suruí têm lembranças trágicas do contato com a sociedade não indígena, em especial com as frentes de colonização e soldados da borracha em meados e final dos anos 60: a chegada desses soldados em nossas terras foi incentivada pelo próprio Estado, e trouxe consigo o surto de sarampo que dizimou a população Paiter. De pouco mais de 5000 pessoas, ela passou para pouco menos de 250 pessoas.

Nas décadas seguintes, com muito cuidado e trabalho, essa população chegou ao que é hoje – aproximadamente 1700 pessoas. Então mesmo que atualmente, em pleno século XXI, existam aparatos tecnológicos e leis que deveriam regulamentar o atendimento à saúde indígena em suas especificidades, a chegada da pandemia do coronavírus nos faz temer o pior. Por isso a sua ajuda é tão importante!


Quem somos ?

O nome de nosso povo, “Paiter”, significa literalmente “o povo verdadeiro”, “nós mesmos”. Somos mais conhecidos, porém, pela denominação dada pelos não indígenas: Suruí.

Vivemos na Terra Indígena Sete de Setembro, numa região que se estende entre o norte do município de Cacoal (Rondônia) até o município de Aripuanã (Mato Grosso). Atualmente, a etnia se distribui em 28 aldeias.

Os primeiros contatos com a sociedade não indígena deram-se em 1968. Como aconteceu com outros povos, esta relação trouxe profundas transformações sociais, econômicas e culturais para nosso povo. Estes contatos também trouxeram graves ameaças sanitárias que, na década de 1960 e 1970, colocaram em risco a nossa própria existência.

Nas últimas décadas, porém, o povo Paiter/Suruí colocou no centro do seu desenvolvimento humano as suas relações com a floresta (sua preservação e o seu manejo sustentável) e os processos culturais consequentes. Assim, formaram-se parcerias diversas com órgãos do poder público, empresas privadas e iniciativas da sociedade civil. Destas relações, nasceram processos diversos, dentre os quais podemos destacar: o monitoramento por satélite de áreas de proteção ambiental localizadas em nossas terras; a normatização da escrita de nossa língua e a criação de cartilhas para o seu ensino em nossa escolas; encenação de nossos mitos em peças teatrais; espetáculos com cantos tradicionais; e o projeto de criação de uma universidade indígena em nosso território etc. Estas experiências projetam a nossa comunidade nacional e internacionalmente, com prêmios diversos.


Como funciona ?

O objetivo dessa primeira campanha é o de atender às demandas emergenciais de mantimentos alimentares, materiais de limpeza e cuidados básicos de higiene de 380 famílias (aproximadamente 1700 pessoas) que se mantém em isolamento durante a pandemia do coronavírus dentro do território Paiter. Serão entregues cestas básicas mensais pelo período de três meses.

A proposição desta campanha foi feita pelo Instituto Wãwã Ixotih em parceria com a Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí que, de dentro das aldeias, selecionou os itens das cestas e fará as compras avaliando o melhor custo benefício nos supermercados e distribuidoras parceiras em Cacoal (a cidade mais próxima). As cestas serão higienizadas, transportadas e distribuídas em parceria com a FUNAI / DSEI, que vêm fazendo esse trabalho desde o início da pandemia.

O Instituto Wãwã Ixotih organizará a distribuição dentro das aldeias e fará a prestação de contas com listas assinadas e fotografias, disponíveis publicamente através deste link. https://www.catarse.me/paitercontracovid


Essa campanha: é realizada através da parceira entre o Instituto Wãwã Ixotih (proposta, idealização, co-execução) e a Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (realização, gestão jurídica, administração financeira, co-execução).

O Instituto Wãwã Ixotih é uma entidade que atua na defesa e promoção dos direitos dos povos indígenas, além de estar alinhado com a proteção do meio ambiente e disseminação e preservação da cultura material e imaterial do Povo Paiter-Suruí.

Recentemente, com a Pandemia do Novo Coronavírus, a COVID-19, está à frente da ajuda humanitária criando e coordenando a Campanha Paiter: povo da floresta contra COVID-19 para o enfrentamento, combate e novos rumos pós pandemia.

A Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí, fundada em 1989, atua na defesa e preservação do patrimônio cultural e territorial, buscando promover a garantia da biodiversidade e a formação dos povos e lideranças indígenas no intuito de construir e fortalecer a sua autonomia. As diversas atividades desenvolvidas pela Metareilá buscam envolver toda a comunidade indígena, assegurando assim o respeito da organização social, seus costumes, línguas, crenças, tradições e todas as demais formas de manifestações culturais.

Sua atuação na defesa do patrimônio territorial está sendo desenvolvida com o Projeto PAMINE, projeto que tem como principal objetivo o reflorestamento das áreas degradadas da Terra Indígena Sete de Setembro.

Realização Campanha Catarse: Anderson Suruí, Celso Suruí, Rubens Suruí, Maria Thais, Antonio Salvador, Marina Merlino, Eduardo Okamoto, Pauline Mingroni Montagem Vídeo: André Cavalieri Arte Gráfica: Leo Akio Tradução: Vanessa Petroncari, Vini Silveira, Tess Amorim, Carla Pollastrelli, José Rubens Siqueira


ALIMENTOS CESTAS BASICAS:


2 pacotes arroz | 2 pacotes feijão | 1 pacote sal | 2 pacotes açúcar | 2 óleos | 2 pacotes farinha de trigo | 1 kg farinha de mandioca | 2 pacotes macarrão | 2 leites em pó | 1 Toddy | 1 pacote milho de pipoca | 2 pacotes bolacha de sal | 2 pacotes bolacha doce | 1 pacote fermento químico para fazer pão | 1 pacote Café | 2 pacotes Fubá

MATERIAL DE LIMPEZA E HIGIENE PESSOAL

4 sabonetes | 1 pacote de sabão em barra | 1 pacote de sabão em pó | 1 litro de água sanitária | 1 pacote de papel higiênico| 2 cremes dentais



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